quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

janeiro 14, 2021

A prefeitura da cidade paulista de Mogi das Cruzes exonerou o secretário municipal adjunto de Esporte, Reinaldo Barreiros, após várias postagem (antigas e atuais) de sua autoria enaltecendo a ditadura militar. De acordo com o portal UOL, em uma deles ele aparece ao lado de um jornal do dia seguinte do golpe militar de 1964, com a legenda "Saudade daquilo que a gente não viveu". A situação do político se agravou ainda mais após algumas denúncias de rachadinhas (quando funcionários devolvem parte de seu salário a deputados). Apesar de graves, aqui eu quero focar na relação entre esporte e ditadura.

É de conhecimento de todos que a ditadura militar usou do esporte (o futebol, em especial) como plataforma de propaganda do regime. Mais do que aproveitar do bom momento do futebol brasileiro daquela época - o Brasil conquistou o tricampeonato em 1970, auge da ditadura militar -, os militares se infiltraram no esporte mais popular do país sem quaisquer cerimônias.

Algumas das principais federações estaduais de futebol, além da própria CBF (Confederação Brasileira de Futebol), tiveram como presidentes militares ou pessoas ligadas ao regime. Isso não foi diferente nas diretorias e presidências dos clubes. Mais do que isso: atletas do futebol e de outras modalidades considerados por algum motivo como transgressores ou subversivos. Colocaram em prática no esporte a política básica de qualquer ditadura, seja de direita ou de esquerda: controle total das instituições, o medo como política de Estado e ausência de participação popular nas decisões.

Apesar de alguns políticos, como o próprio Reinaldo Barreiros, serem saudosistas e quererem a volta da ditadura, o regime militar já foi superado por nosso país e deve permanecer vivo apenas nos livros de história. Da mesma forma, não há mais espaço para a ditadura no esporte, seja a nível municipal ou federal. O esporte é uma ferramenta de democratização, inclusão, desenvolvimento e oportunidade. Quando se tira isso, mata-se o esporte. Não há mais espaço no esporte para a ditadura. Não há mais espaço no país para um regime militar. Seguiremos democráticos. 

Por Taís Souza

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